Professor e alunos envolvidos no projeto (Foto: Ricardo Oliveira)
30/01/2012 – Um grupo de universitários de vários cursos da Escola Superior de tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (EST/UEA) desenvolveu um aparelho inovador e de baixo custo que vai auxiliar os estudos na área de clima e meio ambiente. O aparelho está em fase de teste, mas segundo o pesquisador Júlio Tota, responsável pelo trabalho, vai inovar o cenário tecnológico das pesquisas de levantamento dos gases do efeito estufa.
O aparelho vai transmitir dados referentes aos gases do efeito estufa sem a necessidade de cabos, método atualmente utilizado nessas coletas e que segundo o pesquisador custa muito caro. “Com a migração de inovação tecnológica para os rádios transmissores, com os aparelhos de alta frequência de dados, é possível pegar qualquer o sinal de qualquer aparelho há uma distancia de até 12 km”, revelou.
De acordo com o pesquisador a principal contribuição desse aparelho está concentrada na diminuição de custo e o benefício de adquirir dados com o menor número de equipamentos possível e em tempo real. “Criamos um sistema de aquisição de dados que não usa os sistemas operacionais tradicionais, que são maiores e consomem mais energia”, explicou.
Tota salientou que com esse aparelho os dados sobre o clima e os gases chegarão mais rápido e poderão ser melhor armazenados. “As informações serão transmitidas via rádio por sensores micrometeorológicos que são usados para medir as variáveis como a pressão e temperatura do clima, além da umidade, velocidade e direção do vento, gases de efeito estufa, concentração de dióxido de carbono ougás carbônico, concentração do vapor de água e o metano que são os três principais gases do efeito estufa, foco principal da pesquisa que realizamos”, ressaltou Tota.
O aparelho será instalado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, onde está sendo desenvolvido um trabalho interinstitucional entre a UEA, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e Max Planck Institute. A pesquisa recebe apoio do Governo do Estado do Amazonas por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (FAPEAM).
Transmissão sem fio
“Estamos bastante otimistas em aplicar isso no campo. Temos condições de instalar equipamentos de menor custo, com melhor capacidade de armazenamento de dados e sem necessidade de transmissão via cabo em qualquer área remota” explicou Tota.
De acordo com o pesquisador, realizar um projeto científico custa caro, pois além da necessidade de infra-estrutura, logística é necessário realizar a compra de instrumentos para desenvolvimento. Por isso decidiu convidar estudantes de outras áreas como: elétrica, eletrônica, computação e automação da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) para além de despertar a vocação científica criarem aparelhos semelhantes para suprir a necessidade dos atuais, devido ao alto custo.
“É uma inovação muito grande. É primeira vez que isso está sendo feito isso é inovação tecnológica, pois saímos de uma plataforma totalmente rústica para irmos para uma plataforma totalmente avançada o custo é menor do que uso de aparelhos comerciais”, informou o pesquisador.
Um dos estudantes que auxilia na pesquisa é o estudante e bolsista do programa de apoio a iniciação científica (Paic) Salomão Moraes, ele destaca o trabalho e o apoio da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) para o despertar da carreira científica.
“Antes eu pensava em ir para o distrito industrial, mas esse trabalho e o apoio da FAPEAM, me ajudaram a optar pelo o lado da pesquisa. Eu, já fui bolsista do Paic e isso me ajudou muito também para escolher o tema do meu TCC”, disse o estudante.
Custo benefício
Em uma tabela comparativa detectamos que um aparelho comercial para o serviço transmissão de dados custa em torno de R$3 mil reais, já este feito por alunos fica em cerca de R$ 300 reais. O pesquisador ressalta que além do valor ser menor, os equipamentos não precisam de cabos o que vem a ser uma inovação tecnológica, devido antes ter que carregar em torno de 300 metros de cabos para o meio da floresta.
O projeto estima um investimento de cerca de R$ 25 milhões de reais sendo oriundos da Universidade do Estado do Amazonas em parceria Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e parte da Alemanha. De acordo com o pesquisador o recurso inicialmente está sendo investido na compra de equipamentos e fabricação de torres.
Redação: Esterffany Martins e Rosilene Corrêa
Agência Fapeam