A Defesa Civil está com oito equipes nas ruas para avaliar os estragos e dar o encaminhamento devido à cada situação. Sinais do estrago ainda estão nas ruas.
Manaus - Rajadas de vento de 87 quilômetros por hora (km/h) equivalentes às observadas em princípios de furacões, foram registradas pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), na estação do aeroporto Eduardo Gomes, durante o temporal de sábado à noite e madrugada de ontem, deixaram um rastro de pânico e destruição em Manaus.
A zona centro-oeste, segundo a Defesa Civil, foi a mais atingida, registrando 11 casos, sendo dez destelhamentos de casas no conjunto Hileia, no bairro da Paz, Flores, Planalto e conjunto Santos Dumont.
Em bairros como Japiim, Parque 10 de Novembro e Parque das Laranjeiras árvores e postes caíram, fachadas desabaram e telhados invadiram a pista, impedindo o tráfego de veículos.
A Ponte Rio Negro ficou fechada por duas horas, das 23h de sábado a 1h de ontem, segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran/AM). A diretora-presidente do órgão, Mônica Melo, disse que é a primeira vez que a ponte fica fechada por tanto tempo. “Foi um recorde, mas não ocasionou nenhuma retenção do trânsito em função do horário”, informou.
Na Torquato Tapajós, zona norte, o destelhamento do prédio da Secretaria de Segurança Pública (SSP) atingiu o sistema de telefonia fixa, incluindo o Disque-Denúncia 181. A expectativa é que o atendimento se normalize até às 12h de hoje.
Segundo o meteorologista do Sipam Ivan Saraiva, às 23h08 de sábado um ‘comunicado espécie’ - comum em casos de mudanças atípicas durante as observações regulares – chegou a ser emitido alertando a velocidade atingida pelo vento. “Rajadas como essa são bem fortes e equivalem a um início de furacões, como os ocorridos nos Estados Unidos e que chegam a velocidades entre 100 km/h e 150 km/h”, informou.
Saraiva informou, ainda, que não descarta a ocorrência de outras tempestades semelhantes, já que estamos no período de transição, compreendido entre os meses de setembro, outubro e novembro.
“As pesquisas mostram haver mais condições de chuvas acompanhadas de raios e rajadas de vento. No sábado, por exemplo, às 23h40 outro ‘alerta espécie’ foi emitido, com ventos de 58,5 km/h”, disse.
Apesar dos fortes ventos, apenas 5 milímetros (mm) e 6 mm de chuva foram registrados pelo Sipam no aeroporto e na estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), respectivamente.
Ainda conforme o órgão, na estação do Inmet, ventos de 56,52 km/h foram registrados à meia-noite de domingo, contra rajadas de 34 km/h uma hora antes.
No aeroporto de Ponta Pelada, a velocidade do vento manteve-se constante em 11,1 km/h, das 23h às 1h, e das 2h às 3h saltou para 13 km/h.
Estragos
Proprietária de uma casa no Conjunto Shangrilá 4, no Parque 10, zona centro-sul, a técnica de análises clínicas Auxiliadora Bivar, 48, conta que foi surpreendida na noite de sábado com o destalhamento da casa que aluga. “Fiz essa cobertura há um mês e gastei R$ 4 mil, agora só outra”, lamentou.
Segundo ela, além do telhado arrancado por inteiro e lançado pelo vento a 30 metros de distância da casa, seu vizinho também teve a casa destelhada e o para-brisa do carro destruídos. “Tenho essa casa há oito anos e nunca tinha passado por isso. Agora é desembolsar pelo menos R$ 5 mil para cobrir os estragos”, afirmou.
Até as 11h de ontem, moradores do Shangrilá 4 e entorno estavam com o fornecimento de energia elétrica interrompido.
Moradora do Residencial João Bosco, na Avenida Torquato Tapajós, a pedagoga Aidê Reis afirma que por volta das 23h de sábado todo o bloco 18 sofreu destelhamento e teve os vidros quebrados com a intensidade do vendaval. “Desci com minhas filhas e toda a vizinhança já estava fora dos apartamentos. Vários carros tiveram os vidros trincados e outros realmente estilhaçaram”, relembrou.
Com o pé machucado ao pisar nos vidros e a casa sem telhado e energia elétrica, Aidê afirma que deve passar os próximos dias na casa da mãe, localizada no Conjunto Eldorado. “Estão falando que só daqui a dois dias a energia deve voltar”.
Grades arrancadas e árvores caídas em cima dos telhados ainda podiam ser vistas no local, na manhã de ontem.
Na Rua 7, no bairro Japiim 1, zona sul, uma árvore caiu causando transtornos aos moradores. No Parque das Laranjeiras, zona norte, uma praça foi devastada com a ventania.
Há oito anos morando no bairro Santa Etelvina, a dona de casa Neiva Vital, 37, reclamou, na manhã de ontem do bueiro da Rua Jorge Teixeira que fica ao lado da sua casa e transbordou com a água da chuva e grande quantidade de lixo.
Quarenta e três ocorrências de destelhamento, queda de muro, postes e de árvores foram registradas pela Defesa Civil Municipal em toda a capital ontem.
FONTE: http://www.d24am.com